Par elle-même: Mika Moret

Ensaio Completo: Mika Moret

Tomei conhecimento do trabalho da Mika através de uma amiga assim do nada, sem avisar, sem falar nada. Pé na porta e soco na cara. Foi impossível não gostar. Conheça mais sobre o trabalho artístico da Camila Moret, na seção Par elle-même do Libertine, onde entrevisto mulheres que fazem seus próprios retratos.

Olá Mika! Primeiro eu gostaria que você falasse um pouco sobre você, o que você faz, e como você se iniciou na fotografia.

Mika Moret: Hm, nossa, nunca sei o que responder nessa parte, haha. Vejamos, eu sou aluna de cinema, mas o que eu realmente amo na vida é fotografia ou qualquer outra forma de arte que me permita trabalhar com beleza – no momento, tô fissurada em vídeodança e em como lidar com o corpo de uma forma completamente diferente. Na fotografia, comecei há algum tempo – meu pai comprou uma câmera digital quando eu tinha uns 14 anos e eu peguei pra brincar um dia e bom, ai já era. Era foto de prédio, flor, animal de estimação pra todos os lados – eu adorava a ideia de manter eternamente todas essas coisas e sensações; de guardar beleza.

Mika Moret

 Como você começou os autorretratos? Você já fotografava outras coisas antes ou já começou com o trabalho que você desenvolve atualmente?

MM: Quando eu comecei, novinha, eu tirava fotos de mim também (mas no tipo selfie mais incrementada, haha), mas nunca foi um foco como é agora. Comecei o trabalho com o nu com uns 16/17 anos, que é aquela fase ruim da adolescência, do aparelho no dente, do cabelo ruim e tudo o mais. Essa fase me pegou feio e, conjuntamente com outras coisinhas, minha autoestima ficou bem afetada. Com isso, eu comecei a usar os autorretratos como forma de tentar combater isso, pois aprendi que a vida pode ser complicada demais pr’eu não ser gentil comigo mesma.

Vi uma vez você falando um pouco no Facebook sobre autoestima e autoconhecimento relacionado às suas fotos. Como funciona isso pra você?

MM: No começo, eu via a fotografia como forma de puramente guardar beleza mas, depois de um tempo, descobri que fotografia também era um modo de criar e revelar a beleza, por várias vezes oculta. Desse modo, tentei refletir essa beleza em mim, em me revelar bela para mim mesma.

A primeira vez que eu postei uma foto minha nua foi um marco enorme – era como se, através de uma postagem simples de facebook, eu estivesse me libertando de todas as coisas ruins que eu tinha prendido em mim (de me achar feia, de sempre focar no que tem de errado), como se eu tivesse me libertando pra poder me ver de verdade. Eu percebi que não era normal (e nem deve ser) que eu mesma fosse a minha pior inimiga, então a foto foi o meu marco comigo pra parar essa guerra interna. É complicado, eu sei, por isso foi tão difícil e continua sendo receber aceitação de algumas pessoas.

Passei por um período super complicado com a minha família, mas isso também me ajudou muito com o meu autoconhecimento – meus pais sempre foram a coisa mais importante do mundo pra mim e, pelo meu respeito à eles, eu nunca tinha postado nenhuma foto antes. Foi muito difícil ter que escolher entre família e fotografia naquela época, mas foi por essa escolha que eu descobri as minhas paixões.

Quando você diz escolher entre família e fotografia, você fala literalmente? Sua família não te deserdou por causa das suas fotos, certo?

Então, não fui deserdada, haha. Mas passei pela pior época da minha vida até hoje – no auge, cheguei a ouvir que eles nunca tinham ficado tão decepcionados na vida e até se perguntaram aonde foi que erraram. Olha, eu não tiro a razão deles, deve ser horrível ver sua própria filha se expondo desse jeito e não conseguir entender (ou aceitar) os motivos, e eu acredito que eles nunca fizeram ou falaram as coisas por mal, apenas na maldade de querer me afetar – não, eles sempre agiram pelo puro desespero da preocupação, em querer defender a própria filha, mesmo que às vezes usassem métodos complicados.

Mas estamos estáveis agora. Por exemplo, semana passada eu mandei umas fotos da minha vídeodança para o meu pai (que envolve cinco bailarinos dançando nus em um bosque) e ele me disse o tamanho do orgulho que sentiu de mim pelo filme, que até usa a foto como fundo de tela do trabalho – ele consegue aceitar a minha “arte” e vê o seu valor, só não consegue aceitar a minha exposição dentro dela.

Mika Moret

Qual o nível de paciência necessária para uma pessoa fotografar a si mesma? Haha!

MM: Cara, muito! Haha! Apesar de eu achar mais fácil me fotografar do que fotografar uma modelo, é sempre um trabalho de paciência. Várias vezes tive que abortar algumas ideias ou improvisar, pois não tinha como executar (ainda mais com o perigo de botar um tripé em cima de uma árvore e sair correndo pro outro lado, haha). Mas também é uma terapia super gostosa, passar uma tarde sozinha, só se fotografando. É, no mínimo, divertido pra caramba!

Mika Moret

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9 respostas para “Par elle-même: Mika Moret”

  1. Alex Soares disse:

    Nossa, que massa, clica e corre realmente é muito complicado, as minhas fotos mais simples já dão um trabalho, imagina essas fotos caprichadas e super belas

  2. Alex Soares disse:

    Nossa, que massa, clica e corre realmente é muito complicado, as minhas fotos mais simples já dão um trabalho, imagina essas fotos caprichadas e super belas

  3. Paulinha S Silveira disse:

    Que trabalho maravilhoso…que talento!!!

  4. Nossa, a cada ensaio me surpreendo ainda mais com o trabalhos de vcs, só tenho que parabenizar,. sem mais

  5. Fantástico!!! Quanta criatividade e originalidade.

  6. Emilly Brito disse:

    Não me canso de ver *—-*

  7. Realmente, deve ser muito trabalhoso e exige muita competência para se fazer tal trabalho, que por sinal, é lindo.

  8. Mika Moret disse:

    Awn, muito obrigada pelas gentilezas! Fiquei super feliz com os comentários aqui <3

  9. Renato disse:

    Sou bailarino e quase participo do vídeo na floresta. Sou fã dela. É dessas belas que caem aqui no nosso mundo.

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